06 Dezembro 2011

Obrigado, Doutor

Não fui da geração que pôde ver Sócrates em campo pelo Corinthians e seleção. Para mim e os demais da minha idade, o ex-jogador era conhecido como o irmão do Raí.

Fora isso, a primeira associação que fiz com o Doutor foi com seus refinados toques de calcanhar, eternamente lembrados nos programas esportivos cada vez que algum jogador repetia o artifício com sucesso. Então vieram as histórias da democracia corintiana, do engajamento pelo fim da ditadura militar e entendi que se tratava de uma pessoa diferente.

A falta de vê-lo em campo fez com ele não se transformasse em um ídolo para mim, mas as atividades fora das quatro linhas fizeram crescer um respeito enorme pela figura muitas vezes de opiniões fortes e rebeldes, mas capaz de cativar até os mais céticos com a paixão pela qual defendia suas convicções.

Perder Sócrates deixa o futebol mais triste, pobre e chato. Na era do politicamente correto criada pelas assessorias de imprensa, declarações pasteurizadas e redes sociais patrocinadas por multinacionais, sua franqueza e ironia fina farão ainda mais falta. Saber ser incisivo sem ser rude, provocador sem ser grosseiro e espontâneo quando se pede discrição é um dom para poucos. E nisso o Magrão era um artista.

O Brasil também fica mais opaco, pois foi-se um entusiasta apaixonado pelo próprio país ao ponto de carregá-lo, por opção, no próprio nome. Carecemos de brasileiros que, ideologias à parte, queiram um país melhor e mais justo; que olhem menos para a TV e mais para os jornais, menos para o futebol e mais para Brasília. Sócrates fez isso sempre que pôde. As cores de nossa bandeira reluzem com um pouquinho a menos de brilho.

Dizem que em uma declaração Sócrates afirmou que gostaria de morrer em um domingo de futebol com o Corinthians campeão. Se é verdade ou não não sei, mas pela sua trajetória, sugiro que parem de procurar a veracidade das informações e tenhamos um pouco mais de Nelson Rodrigues dentro de nós. Deixe o mito prevalecer como verdade. Sócrates merece.

Da minha parte só tenho a agradecer pelo que (infelizmente) não vi em campo e por ter um exemplo claro de como um jogador de futebol, se quisesse, pode ser um agente ativo e decisivo para o andamento dos rumos do país ao invés de meros dançarinos de "ai se eu te pego".

Palmas para Sócrates? Não, seria muito clichê para ele. Que fique então o punho cerrado, sua marca mais forte e eternizada para sempre.

30 Novembro 2011

Felipão sempre gênio

Luiz Felipe Scolari deu a seguinte declaração ao blog de Juca Kfouri: “Não sei por que tem corintiano preocupado com o Palmeiras. Independentemente do resultado do nosso jogo o Corinthians já é o campeão porque o Vasco não vai ganhar do Flamengo”.

O tempo mostra que Felipão pode carecer de títulos nos últimos anos, mas não perdeu o raciocínio rápido e capaz de motivar até mesmo os rivais.

Quem conhece o treinador sabe ler nas entrelinhas e entendeu bem o recado: se existia alguma dúvida que o Vasco iria babando para "calar" o palmeirense, ela acabou agora.

É bom que o Corinthians consiga segurar o Palmeiras no Pacaembu, porque o cruzmaltino entrará com a faca nos dentes para derrubar o Flamengo. Se levarmos em conta as inúmeras proezas da equipe nessa temporada, alguém duvida da vitória do time de Dedé, Diego Souza e companhia.

Sabe das coisas esse Felipão!

Ronaldo, o mortal.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre quem era mais ídolo, Ronaldo ou Romário, teve sua resposta ao ver o Fenômeno aceitar figurar no Comitê Organizador da Copa de Ricardo Teixeira.

Aquele crítico à postura do dirigente morreu em algum lugar do passado. A partir de agora, mais e mais afagos e trocas de gentileza serão vistos entre os ex-desafetos e agora amigos do peito, para perplexidade daqueles (como eu) que admiraram o camisa 9 como jogador.

O ex-jogador Ronaldo permanecerá vivo e seus gols e história de superação jamais serão esquecidos. Seu lugar no Olimpo já está assegurado graças à sua impressionante trajetória dentro do campo.

O dirigente Ronaldo rasga sua própria biografia aliando-se ao que há de pior em nosso esporte. Empresta sua credibilidade para quem não merece e vira uma marionete de luxo de quem almeja nada que não tenha a ver com o poder. Desceu da ala dos imortais. Juntou-se à dos imorais, embora ainda não se saiba se de fato ele pertence a esta ou não.

Enquanto isso, Romário mostra-se tão implacável nas cobranças pela moralidade quanto era com a bola nos pés. Faz o que se espera de um deputado (e que soa como algo de outro mundo, já que é exceção à regra da mediocridade do meio) : fiscaliza, questiona, critica, cobra. É a voz do povo na Câmara e engrandeceu ainda mais sua história.

Talvez tenha sido melhor a dupla não jogar junta na Copa de 98. Treze anos depois o destino mostrou que os estilos são completamente diferentes, muito maiores do que poderíamos imaginar. Na hora de abraçar a mortalidade, cada um escolheu um lado. E nessa eu estou com o Peixe.

Não precisava ser assim. Que pena, Ronaldo.

16 Novembro 2011

O que esperar do Palmeiras contra o Vasco

Felipão sabe que a única forma de não restarem dúvidas sobre a boa vontade do Palmeiras no jogo de logo mais contra o Vasco é arrancando ao menos um ponto dos cariocas na Arena Barueri. Caso contrário, especialmente os corintianos lembrarão a polêmica do ano passado com a boa vontade no jogo contra o Fluminense, que acabou sendo determinante para a conquista do título tricolor.

Episódio que contribuiu decisivamente para o rompimento de Tite com Felipão. O corintiano nunca aceitou o desdém com a qual o Palmeiras tratou aquele jogo em Barueri (à época, questionado se o Palmeiras iria entregar a partida, Scolari sorriu e disse "mas tem jogo?").

A situação dessa vez é diferente. O alviverde precisa dos três pontos para acabar com qualquer possibilidade de queda e terá uma sequência difícil pela frente (além do Vasco, visita o Bahia e faz clássicos contra o São Paulo e o próprio Corinthians). Conquistar pontos o quanto antes é fundamental para afastar qualquer fantasma.

Seja qual for o resultado, é preciso lembrar que antes da bola rolar o Vasco é favorito e não será surpresa nenhuma o vice-líder bater um time que não vence há nove jogos. O Palmeiras pode até perder, mas não será por falta de vontade.

Existe outra saída, esta mais honrosa. Ganhar do Vasco e fazer sua parte na última rodada derrotando o arquirrival. O problema é se o jogo vai valer algo que não seja a entrega das faixas.

Fica a dúvida em qual será a escolha da torcida: apoiar o time ou torcer para os vascaínos, aparentemente únicos capazes de tirar o troféu do Parque São Jorge. O blog acredita que não serão poucos os torcedores que sorrirão caso os paulistas ampliem para dez o número de jogos sem vitória.

E você, de que lado está?

14 Novembro 2011

Um dia triste na NBA

Ao que tudo indica, a temporada da NBA deve ser mesmo cancelada por falta de acordo entre jogadores e patrões. A última reunião marcou o dissolvimento do sindicato e ameaça de processo aos dirigentes por parte dos atletas.

Triste saber que as pessoas deixam de ser razoáveis quando o assunto envolvido é dinheiro - especialmente quando se sabe que ninguém envolvido vai ficar pobre por ganhar um pouco menos das cifras milionárias envolvidas.

Dirigentes e jogadores pensaram apenas nos dólares parecem ter esquecido a legião de fãs (à qual se inclui o Blog) que esfregam as mãos e vibram com os lances espetaculares dos jogadores mais fabulosos do mundo.

Ao contrário da geração de 98, de Jordan, Ewing, Robinson e tantos outros, os jogadores parecem menos engajados com os outros pontos que rodam a liga e endureceram as negociações. Fim de papo, provavelmente nada de NBA.

Uma lástima para os torcedores, um tapa na cara dos apreciadores de basquete e um capítulo negro na história do esporte americano.

Para este blogueiro que tem em Michael Jordan um dos seus maiores heróis, o sentimento é de frustração e incredulidade. Nunca imaginei um dia escrever sobre uma temporada do maior basquete do mundo que não aconteceu.

É difícil saber o saldo final dessa lambança: todos saímos perdendo. Estamos órfãos por um ano.

Nem tanto Kleber, nem tanto Felipão

Kleber foi à TV Bandeirantes detonar Luiz Felipe Scolari e não economizou nos ataques. O jogador afirma que 80% do grupo não gosta do treinador e que Felipão por vezes humilhou alguns atletas na frente de todo mundo.

Scolari provavelmente dará o troco e contará feitos terríveis do Gladiador e como ele minou o ambiente do grupo ao tentar forçar sua transferência para o Flamengo. O treinador costuma bater forte em situações como essa.

Então, em quem acreditar? Talvez um pouco nos dois, um pouco em ninguém.

Felipão de fato passou dos limites algumas vezes ao criticar o elenco em público. Expôs seus atletas sabendo que conta com o apoio incondicional de uma torcida que o idolatra. Errou e certamente magoou e frustrou muitos atletas.

Mas é preciso entender qual era o clima do vestiário antes para que um discurso tão duro fosse adotado. Felipão sempre se caracterizou por ter os grupos com que trabalha na mão e não raro é idolatrado por ex-jogadores que tiveram suas conquistas mais importantes sob seu comando. E pergunte a Luan e Marcos Assunção se eles não gostam do técnico. Seria estranho ele ter mudado tanto e virado um homem amargo e que persegue os jogadores.

Vale lembrar que no Chelsea ele trombou de frente com Ballack, Drogba e Chech e acabou sendo demitido por não domar um grupo recheado de estrelas. Não faltaram elogios do trio ao sucessor Guus Hiddink.

Kleber não tem nada a perder e dispara para todos os lados, mas sua carreira marcada por polêmicas não ajuda a transformá-lo em paradigma da verdade. Quando chegou no Palmeiras pela primeira vez, nunca deixou de provocar o São Paulo, seu clube de formação. Foi para o Cruzeiro e passou a fazer juras de amor aos paulistas, com direito a pelada na quadra de uma organizada mesmo estando lesionado. Forçou tanto a barra que voltou e o amor durou até chegar a proposta do Flamengo, quando fez de tudo para sair e teve que se conformar com o Palmeiras que ele tanto dizia amar.

Acreditar que o atacante seja vítima de um treinador implacável é uma hipótese difícil de ser engolida.

Se Felipão tiver tanta rejeição assim do grupo é possível que o Palmeiras de 2012 seja de fato muito diferente do atual, afinal Arnaldo Tirone fez sua escolha ao descartar o atacante e ficar com o treinador.

Só o tempo dirá se vilões ou mocinhos da história serão revelados. Enquanto isso o alviverde luta para ver seu ex-ídolo acertado com o Grêmio para não ter o desprazer de negociá-lo justamente com o arquirrival Corinthians. Seria a vingança perfeita de Kleber.

Para Scolari é hora de apagar 2011 e pensar em um ano com menos atritos e mais futebol. O treinador deve um bom trabalho desde sua passagem por Portugal. Está na hora de mostrar se ele ainda é capaz de reunir um grupo ao seu redor e fazê-lo jogar por ele.

Enquanto isso, um vídeo curioso da época em que Kleber trocou o Cruzeiro pelo Palmeiras. E tem algumas pessoas que acham que torcedor não entende de futebol.

13 Novembro 2011

Fluminense joga fora sua chance

Este blog via no Fluminense o maior candidato a atropelar Vasco o Corinthians na reta final do Brasileiro e se amparou nos números do segundo turno e nas vitórias longe de casa para fundamentar sua opinião.

Bem, o time hoje poderia ter acordado líder ainda que provisoriamente. Poderia se não tivesse falhado na hora de encarar o supreendente América-MG, que bateu o tricolor das Laranjeiras por 2 a 1 em pleno Engenhão.

O Flu tremeu nas bases e desperdiçou seis pontos contra o ex-lanterna (no primeiro turno foi atropelado por 3 a 0). Fica difícil imaginar que caso Corinthians e/ou Vasco vençam seus compromissos o time de Abel Braga siga no páreo com cinco pontos para tirar em quatro jogos (lembrando que o atual campeão brasileiro ainda enfrenta Botafogo e Vasco).

O Fluminense poderia repetir o São Paulo de 2008 e o Flamengo de 2009 e conquistar o título depois de arrancada fulminante. Mas aqueles times não vacilaram na hora H, o que faz ser difícil a façanha do time carioca.

Coisas do futebol e de um campeonato absolutamente imprevisível.

12 Novembro 2011

Brasil pasta no Gabão

O que se tirar do amistoso entre Brasil e Gabão, cheio de atletas que não fazem parte dos planos de Mano Menezes?

A resposta é que a CBF perdeu de vez o respeito pela sua marca e seus jogadores.

Obrigada a jogar em um gramado que mais parecia um pasto e contra adversários desleais, a seleção desceu a um nível tão baixo quanto daqueles que a dirigem. Pena não termos jogadores com personalidade para recusarem a exposição ao ridículo e às lesões (que poderiam vir do mangue onde a partida foi realizada ou das botinadas adversárias).

Em termos técnicos, Hernanes mostrou que merece ser parte integrante do grupo. Joga demais o ex-são-paulino. Acabou ofuscado pela perplexidade das pessoas que viram a única seleção pentacampeã do mundo literalmente jogada na lama.

E ainda perguntam os motivos de quase ninguém ligar para o Brasil.

Um time que se vende para qualquer um que pagar bem, expõe seus atletas a lesões e mutilam os clubes no meio do campeonato não merece mais do que indiferença.

09 Novembro 2011

O segundo dia do fico de Neymar. Será bom para ele?

Mais uma vez, Neymar ficou. Apesar do assédio do Real Madrid e do Barcelona, o jovem astro santista repetiu o que havia feito com o cortejo do Chelsea: agradeceu o interesse e disse não.

A notícia faz bem aos ouvidos. O Santos inaugura (mais uma vez) um novo patamar no que diz respeito a manter um craque desse calibre, o futebol brasileiro e os torcedores terão o prazer de acompanhar mais e mais jogadas geniais do que parece ser o maior jogador pós-Ronaldo e o próprio atacante deve ter um bom aumento de salário.

Tudo muito bom, tudo muito bem.

Sem querer fazer o advogado do Diabo, mas já fazendo: E para Neymar, será que o acordo é tão bom assim?

Em que se louve o desejo do craque em continuar no seu clube de coração, fica difícil imaginar que tipo de ambição pode ter um jogador que já conquistou uma Copa do Brasil, dois Paulistas, uma Libertadores; que chegou à seleção brasileira principal e atingiu o status de maior estrela do Brasil. Agora tudo é festa, mas o que mais Neymar pode almejar com a camisa do Santos?

Que não me entendam errado, a permanência do 11 alvinegro é garantia de espetáculo para qualquer torcedor brasileiro e fará a alegria de quem gosta de arte, encherá estádios como um popstar e figurará cada vez mais em sites de moda e fofoca. Falando de maneira egoísta, para nós, sua permanência é 100% favorável.

A análise aqui pensa no lugar do jogador. O fato é que Neymar já atingiu a plenitude da sua forma e ganhou os títulos que muitos craques passam a vida sem festejar. E tudo isso aos 19 anos. O que o motivará até 2014, os troféus que ele já ergueu? Marcas por ele já alcançadas? Partidas antológicas contra adversários que claramente estão muitos degraus abaixo de seu talento?

Particularmente penso que Neymar deveria seguir o roteiro "original" e deixar o país no meio do ano que vem (ou até em dezembro, por que não?). Apesar da evolução do futebol nacional, a nata do esporte ainda se concentra nas grandes ligas europeias e sua evolução passa pelo aumento das dificuldades dos rivais. Haja visto que seu desempenho na seleção não é o mesmo de quando enfrenta os beques tupiniquins.

Acredito também que só quando brilhar em campos do Velho Continente é que o garoto alcançará o reconhecimento que lhe é devido (o mesmo vale para Ganso, Lucas, etc). Será também a oportunidade de medir forças em condições iguais com Messi, Cristiano Ronaldo, Rooney, Xavi, Iniesta e cia.

É verdade que em 2014 o atacante terá apenas 23 anos e estará mais forte fisicamente e mais experiente. Resta saber se ele terá motivação para conquistar as mesmas coisas que já conquistou e talvez sem um time tão espetacular como o atual Santos.

Ainda tenho minhas dúvidas. O tempo irá responder.