Tinha tudo para ter uma festa no Mineirão, mas desde o começo havia uma atmosfera estranha no ar.
A confiança da torcida cruzeirense não inflamou o time, que respeitou demais o Estudiantes e praticamente não agrediu os rivais.
Despedindo-se da Raposa, Ramires estava irreconhecível e errava tudo o que tentava. Kléber só apareceu quando levou o cartão amarelo em discussão que nem era sua.
Foi-se o primeiro tempo e o zero insistia em permanecer no placar. Igualzinho a La Plata, o que empurraria a decisão do campeão para as penalidades.
Até que Henrique, o garoto que fez um golaço contra o São Paulo no Morumbi, apareceu com um tirombaço de fora da área que desviou na zaga e dormiu nas redes hermanas, aos 7 minutos.
Parecia que a Raposa iria acordar e liquidar o adversário, mas cinco minutos depois, Fernandéz concluiu para as redes o cruzamento de Cellay, em a jogada iniciada por Verón no meio-campo.
Pronto. Bastou o empate para a coisa começar a complicar. O Estudiantes começou a jogar como se estivesse em casa e a cadência argentina minou os nervos mineiros.
E foi assim, sem muitas dificuldades, que alvirrubro conseguiu a virada, para a perplexidade da multidão que acompanhava a partida no Mineirão.
Aos 41, Thiago Ribeiro mandou um petardo na trave.
Era o fim do sonho do tri. No Brasil, por enquanto, só o São Paulo pode se gabar do feito de ter levantado três vezes o troféu.
O clube celeste ajuda a engrossar a impressionante estatística: Desde 2000, o Brasil esteve presente em oito finais e ganhou só duas; ambas em decisões regionais.
Mas pelo que evoluiu ao longo do torneio, pela consistência apresentada nas últimas fases e pela genialidade da Brujita Verón, o tem de se dizer que o título da Libertadores ficou em excelentes mãos.