30 Novembro 2011

Ronaldo, o mortal.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre quem era mais ídolo, Ronaldo ou Romário, teve sua resposta ao ver o Fenômeno aceitar figurar no Comitê Organizador da Copa de Ricardo Teixeira.

Aquele crítico à postura do dirigente morreu em algum lugar do passado. A partir de agora, mais e mais afagos e trocas de gentileza serão vistos entre os ex-desafetos e agora amigos do peito, para perplexidade daqueles (como eu) que admiraram o camisa 9 como jogador.

O ex-jogador Ronaldo permanecerá vivo e seus gols e história de superação jamais serão esquecidos. Seu lugar no Olimpo já está assegurado graças à sua impressionante trajetória dentro do campo.

O dirigente Ronaldo rasga sua própria biografia aliando-se ao que há de pior em nosso esporte. Empresta sua credibilidade para quem não merece e vira uma marionete de luxo de quem almeja nada que não tenha a ver com o poder. Desceu da ala dos imortais. Juntou-se à dos imorais, embora ainda não se saiba se de fato ele pertence a esta ou não.

Enquanto isso, Romário mostra-se tão implacável nas cobranças pela moralidade quanto era com a bola nos pés. Faz o que se espera de um deputado (e que soa como algo de outro mundo, já que é exceção à regra da mediocridade do meio) : fiscaliza, questiona, critica, cobra. É a voz do povo na Câmara e engrandeceu ainda mais sua história.

Talvez tenha sido melhor a dupla não jogar junta na Copa de 98. Treze anos depois o destino mostrou que os estilos são completamente diferentes, muito maiores do que poderíamos imaginar. Na hora de abraçar a mortalidade, cada um escolheu um lado. E nessa eu estou com o Peixe.

Não precisava ser assim. Que pena, Ronaldo.

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