Nenê e Leandrinho alegaram problemas particulares para não disputarem o pré-olímpico de basquete em Mar del Plata. Não foi a primeira vez que a dupla agiu dessa forma, mas espero que tenha sendo a última.
A falta de comprometimento da dupla sempre me incomodou. Nenê e Leandrinho poderiam ocupar um papel na história como os responsáveis por resgatar o orgulho por um esporte que já deu muitas glórias ao Brasil e virou motivo de piada desde o ocaso da geração de Oscar.
Mas os dois se encantaram com a NBA, os milhões de dólares em contratos e viraram as costas não só para a seleção, mas também para o basquete brasileiro e seus fãs. Fosse como no futebol, onde talentos brotam aos montes, ninguém daria importância, mas duas ausências em uma modalidade onde cinco entram em quadra é um peso grande.
Nada de errado em aspirar à liga norte-americana, este deve ser o sonho de qualquer "basqueteiro" (e foi deste blogueiro em sua infância, onde joguei basquete e até federado fui). Só que Ginóbili e Scola, também da NBA, estavam lá no ginásio Ilhas Malvinas, defendendo as cores do seu país com sangue nos olhos. Enquanto isso, Leandrinho chegou a confirmar sua participação na Dança dos Famosos!!!
Fiquei constrangido ao imaginar Leandrinho e Nenê em suas casas assistindo (será?) ao jogo. No que eles estariam pensando? Que seria uma mamata se estivessem em quadra? Que eles são bons demais para aquilo? Que a única coisa que vale é o anel de campeão da NBA ou uma vaga no All Star Game?
O Brasil ficaria muito mais forte se tivesse seus "americanos" em quadra, mas a vitória sobre os argentinos mostrou que eles não são tão indispensáveis assim. Além de dar orgulho pela primeira vez em muitos anos, a seleção escancarou que vale mais um grupo unido e de fibra do que um par de "estrelas" desinteressados.
É cedo para falar que estaremos novamente em uma Olimpíada (a primeira desde 1996!), mas se o Brasil se classificar, não quero ver Nenê e Leandrinho em Londres. Se eles não podem estar em quadra na hora de ralar o osso, não devem estar na hora do filé mignon.
Eu tive orgulho do Brasil e da garra dos jogadores, que venceram um adversário muito mais forte tecnicamente. E tive orgulho de saber que Nenê e Leandrinho não estavam lá.
Que o triunfo coroe o ótimo trabalho de Magnano e faça renascer o esporte no país. E que esse processo seja liderado por Rafael Rettsheimer, Marcelinho Huertas, Guilherme Giovanonni, Bábby e todos os outros que suam a camisa para tentar dar alegrias a um esporte que andava tão marginalizado.
Hilário mesmo nessa história é quem optou por ficar fora dela.
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