A nova convocação da seleção dá indícios de que Mano Menezes perdeu a fé em suas convicções e deixou o trabalho de lado para garantir o emprego.
Numa tacada só excluiu André Santos, então titular absoluto, e chamou o renegado Marcelo, que vivia em purgatório após desdenhar da seleção. E bastou Ronaldinho jogar bem em algumas partidas para voltar à equipe sem que nunca tivesse sido ventilado seu retorno.
No caso do lateral, é verdade que o jogador do Fenerbahçe nunca foi unanimidade e errou feio contra a Alemanha, mas ceifá-lo da titularidade absoluta (sempre foi homem de confiança de Mano) e jogá-lo no ostracismo em apenas um jogo parece um corte motivado por razões além das técnicas.
O técnico também retrocedeu ao dar chance ao jogador do Real Madrid. Marcelo é bom jogador, mas o episódio do e-mail enviado por engano a Mano seria suficiente para mantê-lo fora das convocações por um bom tempo. Duvido que o treinador tenha perdoado o lateral, mas resolveu apostar nele mesmo assim.
Penso que não era hora de Ronaldinho na seleção ainda. O Gaúcho de fato está jogando bem no Flamengo e deve chegar para ficar com a camisa 10 e vaga cativa na equipe. Mas e Lucas, que vem sendo chamado sempre? Não seria ele, por ser o reserva da equipe, quem deveria ter a primeira oportunidade? Difícil imaginar o são-paulino na equipe e Ronaldinho no banco.
Dunga foi criticado por uma série de fatores, mas jamais abriu mão de suas convicções. Pagou caro pela falta de talento na seleção, mas a história nem sempre foi assim, que o diga Felipão em 2002 ao levantar o penta mesmo sem Romário.
Saber ouvir, dialogar e rever conceitos é sempre um processo salutar (Dunga extrapolou as convicções e foi muitas vezes cabeça dura), mas quando feito de maneira abrupta dá margem a interpretações variadas. Se de uma hora para outra Mano elegeu Ronaldinho o responsável pela transição da equipe, é natural pensa que ou o treinador escondeu muito bem seu plano até agora ou resolveu apelar para os medalhões para tentar garantir o emprego, nem que isso custe o trabalho.
Mano foi contratado para rejuvenescer a seleção e mesclar talentos como David Luiz, Neymar e Ganso com jogadores mais veteranos. Vinha fazendo bem o serviço, mas os tropeços contra grandes começaram a mudar o cenário de uma hora para outra.
Para voltar ao que se propôs, o técnico precisa esquecer o emprego e se concentrar no trabalho. Não parece ser o caso agora.
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