30 Julho 2011

O gol de placa de Dilma

Não votei em Dilma Rousseff nas últimas eleições e tenho sérias dúvidas sobre quem se alia ao ex-presidente que mais tornou promíscuas as relações do governo em Brasília. Mas é inegável que a presidente dá alguns sinais de distanciamento do seu criador, o que é excelente, e isso merece elogios.

No modorrento sorteio das Eliminatórias da Copa, Dilma roubou a cena de maneira incisiva e sutil. Dias depois de nomear Pelé o embaixador do Mundial e atropelar Ricardo Teixeira (desafeto do Rei), a presidente diminuiu o dono da CBF em seu discurso no evento.

Ao tratar Pelé por "meu querido" e "incansável batalhador pela Copa do Mundo de 2014", a chefe do Executivo quis mostrar ao lado de quem está. O protocolar "senhor Ricardo Teixeira" foi apenas um dos seguidos golpes de Dilma ao dirigente, com quem não quer nem conversa.

Foi talvez a resposta mais acertada à nojenta entrevista do dono da CBF à revista Piauí. Que com desapreço trata, com desapreço deve ser tratado. E ser achincalhado pela presidente da república em escala global mostrou que a bola de Teixeira anda das mais murchas ultimamente.

De quebra, Dilma deu seu recado sem se rebaixar ao nível de grosseria de seu rival e foi na contramão de Lula, sempre afeito a trocar tapinhas nas costas com qualquer tipo apenas para manter sua imagem de "o cara" (seja lá o que isso queira dizer).

O discurso da presidente marcou seu território e mostrou que a farra até 2014 deve ser muito menor do que alguns esperavam. Valeu pelas duas horas de evento chato, lotado de dirigentes acusados de corrupção até o pescoço e que só serviu para promover a única emissora que finge que nada de podre acontece no reino da CBF.

Que me perdoem o clichê, mas Dilma marcou um golaço no Rio.

3 comentários:

Fernando de Assis disse...

Concordo com tudo dito no texto. Realmente a presidenta marcou um golaço e esperamos que ela continue assim.

Lucas Barbosa disse...

Na minha opinião, Dima fez como Kléber do Palmeiras: jogou pra galera. Na onda das manifestações contra Ricardo Teixeira, ela quis fazer a sua com a ''torcida'' tomando tal atitude. Duvido que ela tome uma atitude concreta contra o sr. futebol brasileiro. Se tomar, volto atrás com minha opinião. Por enquanto, é só mais uma atitude oportunista visando a sua imagem para com os interessados no fim da corja da CBF.

Mateus disse...

Não vejo que a relação Globo-governo vá se romper tão cedo. Ainda vivem uma relação simbiótica. Quem sabe daqui uns 100 anos...quando muita água vai rolar.