26 Julho 2011

Ao Mestre, com carinho

A primeira imagem que tenho de Telê Santana é de quando ele largou o cargo de comentarista para ser treinador do São Paulo.

Do alto da ignorância infantil dos meus cinco ou seis anos de idade, estranhei o fato de um cara que trabalhava na TV comandar um time de futebol.

Pouco tempo depois já via Telê com olhos encantados. O treinador ranzinza era também o responsável pela máquina tricolor no início dos anos 90, um virtuose do banco. Perder, sim. Jogar feio, nunca.

Além do rigor com o jogo bem jogado, o que mais me despertou a admiração em Telê foi sua preocupação verdadeira com a vida dos jogadores fora das quatro linhas.

Mas o receio de Telê não era apenas para garantir jogadores inteiros para a partida. O mestre era severo para garantir que os encantos do dinheiro fácil e da fama não arrastassem os jogadores para um futuro incerto. Müller mostra que ele não estava errado...

A doença ajudou a transformar aquele homem duro e disciplinador em um senhor aparentemente frágil e dócil, mas com o mesmo brilho no olhar de sempre. E foi aí que a admiração de tanta gente se tornou algo superior, uma devoção.

Pessoa correta, caráter sólido, técnico do que dizem ter sido a maior seleção de todos os tempos. Não ganhou uma Copa do Mundo. Azar da Copa. Era chamado de pé-frio. Pena de quem não soube apreciar sua arte.

Telê morreu, mas nunca deixará de existir. Hoje, oitenta anos depois do nascimento do mestre, ainda comemoramos a chance de, se não termos feito parte da sua história, ao menos acompanhá-la de perto.

0 comentários: