19 Julho 2011

Martinuccio, Fluminense e o bico na ética

Mesmo tendo só 28 anos, aprendi desde cedo que quando alguém dá a palavra de que vai fazer algo, essa promessa será cumprida.

Martinuccio foi além. Assinou um pré-contrato com o Palmeiras e oficializou uma situação, sabendo que se mudasse de ideia, o clube que o quisesse teria de desembolsar R$50 milhões. Agora, sabe-se lá por quê, resolveu mudar de ideia e está simplesmente ignorando o compromisso que assumiu.

Pior faz o Fluminense, que desrespeita o clube paulista e tenta agir na surdina mesmo sabendo que existe um documento assinado. O mesmo Fluminense, não custa lembrar, que fez a mesma coisa com Thiago Neves, que teve de devolver R$ 400 mil que recebeu adiantado do Palmeiras.

Novamente o clube carioca flerta com a mais absurda falta de ética. E Martinuccio, ninguém sabe, ninguém viu. A única impressão é de que ele quer jogar em qualquer lugar, menos no alviverde.

Se for isso mesmo, azar o dele. Que não tivesse assinado pré-contrato nenhum.

O argentino fez boa Libertadores e se destacou no vice-campeão Peñarol, mas está longe de ser um fora de série. Tem o nível talvez de Valdivia, a quem considero mediano.

O ponto não é brigar porque o jogador é um fora-de-série, mas lutar para que a lei se cumpra e absurdos como esse não se repitam mais.

Se Fluminense, Roma ou qualquer outro clube quiser Martinuccio, que pague o valor da multa e seja feliz. Ou proponha um acordo com o Palmeiras que, desta vez, está com a vantagem de ter se resguardado.

Tenho dúvidas da aceitação da torcida ao jogador depois deste papelão, talvez seja melhor procurar um negócio. Mas aí cabe à diretoria saber pedir a compensação necessária para liberar o meia. Caso contrário, que se cumpra o contrato.

De qualquer forma, Martinuccio já chega (se é que chega) com a imagem arranhada, e não vai adiantar querer jogar a culpa na imprensa, no empresário ou falar que tudo não passou de um mal entendido.

E o Fluminense dá mais uma mostra do porquê o futebol brasileiro continua uma terra de ninguém. Enquanto um tentar enfiar a faca nas costas do outro, os clubes continuarão sendo massa de manobra de quem está 'cagando de montão'.

É preciso mudar de postura. Resta saber se quem deveria fazê-lo está disposto a isso.

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