25 Julho 2011

Celeste épica

Quando o árbitro encerrou a Copa América com a vitória do Uruguai, parei para me perguntar: afinal, o que tanto encanta na Celeste?


Poucos segundos foram necessários para responder. A vibração e emoção que tomaram conta de jogadores e torcedores mostrou que os uruguaios amam sua seleção. Mas não se trata daquele amor breve, que só aceita vitórias.

O que se viu no Monumental de Nuñez foi uma equipe brigando para resgatar o orgulho de sua gente. E a sensação de dever cumprido foi tão genuína que deu cor e vida a uma competição cada vez mais opaca.

Pensei ser exagero. Não é. O futebol tem sido uma válvula de escape para o povo daquele país reencontrar sua identidade e essência. A cada novo triunfo, um novo motivo para sorrir, bater no peito e mostrar o orgulho.

A cada derrota, a surpreendente demonstração de afeto e carinho. É como se as pessoas dissessem “levante a cabeça, sabemos que vocês fizeram o melhor”.

Quem entende minimamente uma relação de amor viu e vê a paixão do povo uruguaio com sua seleção. Tão forte e marcante que fez com que muita gente adotasse a Celeste como segundo time (em alguns casos, até como primeiro) e passasse a vibrar e sofrer com Suárez, Lugano, Forlán e cia.

Louvar o título uruguaio apenas pela raça seria uma desfeita. Com a bola nos pés, trata-se do melhor time da América do Sul; os resultados recentes não desmentem. Tudo fruto de um trabalho de longo prazo e conduzido com seriedade.

Mas o que mais encanta nessa geração é o caso de amor entre a Celeste e seu povo, tão marcante e puro que fica difícil não torcer por um final feliz.

Mais do que vencer a Copa América, o Uruguai foi recolocado no seu lugar de destaque no futebol. Que seja mais uma vez bem-vindo, quem gosta do bom futebol estava com saudades.


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