Lembrando que este é um espaço de discussão e reflexão; sou absolutamente contrário à unificação dos títulos brasileiros. Em linhas gerais (o assunto é longo, desgastante, cheio de nuances e já foi debatido à exaustão), penso que:
- Cada torneio tem sua particularidade, seu regulamento, seu valor e sua história. Se o Robertão era o Brasileiro da época, não era necessária uma mudança na nomenclatura para valorizá-lo. Os clubes dimunuíram a importância da competição.
- A Taça Brasil era disputada em formato de Copa, logo abre um precedente para que a Copa do Brasil também valha como título nacional. E sem contar a aberração de alguns clubes ganharem dois títulos nacionais no mesmo ano, caso do Palmeiras em 1967, e dois campeões diferentes (Santos e Botafogo, em 1968).
- Trata-se de uma medida de casuísmo da CBF, que dá de ombros para a história do futebol e só cresce seus olhos (e seu apetite) pelo mundial de 2014, que promete ser uma fábrica de escândalos. A homologação serviu apenas para tapar a boca de poucos tolos.
- Os campeões do Robertão e da Taça Brasil não precisavam disso. Remetendo ao primeiro tópico, desvalorizaram sua história e suas conquistas, desesperados por um carimbo da CBF. A cena ridícula dos presidentes de Santos e Palmeiras saindo cheios de faixas e troféus-bonsai da sede da entidade máxima fala por si.
O episódio rasgou a história do futebol brasileiro, que não começou a partir de 1971 (ano do primeiro Brasileirão). Mas o desespero de alguns dirigentes por "reconhecimento" mostra que mais vale uma chancela de uma entidade que pode ter tudo, menos credibilidade, e que não é a dona do futebol nacional.
A discussão é válida e outros pontos de vista também devem ser aceitos e respeitados (como os de amigos que eram a favor da unificação), mas a forma como as coisas foram feitas mostram que a CBF queria tirar um problema da frente. E conseguiu.
26 Dezembro 2010
É "só" liberar
É curiosa a forma como alguns clubes anunciam contratações nessa época do ano. Dizem ter tudo certo com o jogador e sempre falta "só" um detalhe: a liberação do clube, que geralmente pagou muito dinheiro para contar com o atleta que agora faz juras de amor à agremiação que pode vir a defender.
Para ficar nos exemplos mais simples, cito Thiago Neves, Adriano e Ronaldinho Gaúcho. Jogadores que fizeram torcidas sonharem com suas chegadas, movimentaram dirigentes e, ao que tudo indica, darão em nada. Afinal "só" esqueceram de perguntar para os donos dos direitos dos jogadores se eles topavam.
O fato é que todo mundo erra nesse processo: o clube ao anunciar o "acerto" (onde diabos existe acerto quando uma das partes envolvidas não foi consultada?), a imprensa, que muitas vezes dá o negócio como sacramentado sem se dar conta de que ninguém rasga dinheiro, e a torcida, que muitas vezes culpa a mídia, que nada faz além de repercutir o entusiasmo da cartolagem.
Pior do que a nova moda são os jogadores que voltam após poucos meses fora do país alegando falta de adaptação. Geralmente são os mesmos que batem o pé para serem negociados para fazer sua independência financeira.
A tropa geralmente sai achando que chegará no novo clube com status de ídolo e lugar cativo no time, mas quando percebe que não é assim começa a choramingar e sempre culpa um técnico que não gosta de brasileiros, o frio, o idioma, etc.
E o mercado desquecido como está ainda renderá muitos episódios como estes. O duro mesmo é ter paciência para aguentar.
Para ficar nos exemplos mais simples, cito Thiago Neves, Adriano e Ronaldinho Gaúcho. Jogadores que fizeram torcidas sonharem com suas chegadas, movimentaram dirigentes e, ao que tudo indica, darão em nada. Afinal "só" esqueceram de perguntar para os donos dos direitos dos jogadores se eles topavam.
O fato é que todo mundo erra nesse processo: o clube ao anunciar o "acerto" (onde diabos existe acerto quando uma das partes envolvidas não foi consultada?), a imprensa, que muitas vezes dá o negócio como sacramentado sem se dar conta de que ninguém rasga dinheiro, e a torcida, que muitas vezes culpa a mídia, que nada faz além de repercutir o entusiasmo da cartolagem.
Pior do que a nova moda são os jogadores que voltam após poucos meses fora do país alegando falta de adaptação. Geralmente são os mesmos que batem o pé para serem negociados para fazer sua independência financeira.
A tropa geralmente sai achando que chegará no novo clube com status de ídolo e lugar cativo no time, mas quando percebe que não é assim começa a choramingar e sempre culpa um técnico que não gosta de brasileiros, o frio, o idioma, etc.
E o mercado desquecido como está ainda renderá muitos episódios como estes. O duro mesmo é ter paciência para aguentar.
18 Dezembro 2010
Inter espanta a zebra em Abu Dhabi
Desta vez não houve espaço para o Mazembe pregar mais uma surpresa em Abu Dhabi. Com tranquilidade e competência, a Internazionale construiu um 3 a 0 incontestável e livre de sustos - salvo após uma cochilada na metade do segundo tempo, quando quase foi surpreendida.
Não fosse o pé torto de Milito, o placar poderia ter sido ainda maior. Com grande atuação, Samuel Eto'o coroou sua participação sendo aclamado o craque do torneio, que deve dar sobrevida ao contestado Rafa Benítez.
O sentimento de frustração passou longe dos congoleses, que mesmo tristes com o revés, foram cumprimentar os campeões e ainda deram rara demonstração de humildade ao tietarem os adversários, tirando fotos e trocando camisas.
Mais cedo, o Inter acordou da letargia e venceu o Seongnam por 4 a 2 e se despediu com dignidade da competição. Pode não ter sido o cenário dos sonhos gaúcho, mas certamente a situação seria muito pior se o time fosse derrotado mais uma vez.
Fim de um torneio que se não empolga muito, ao menos revelou uma grata surpresa (menos aos gaúchos) ao ver um time africano, muitas vezes visto como sem estrutura, romper a hegemonia das finais entre europeus e sul-americanos. Só por isso já dá para dizer que valeu.
Ano que vem tem mais.
Não fosse o pé torto de Milito, o placar poderia ter sido ainda maior. Com grande atuação, Samuel Eto'o coroou sua participação sendo aclamado o craque do torneio, que deve dar sobrevida ao contestado Rafa Benítez.
O sentimento de frustração passou longe dos congoleses, que mesmo tristes com o revés, foram cumprimentar os campeões e ainda deram rara demonstração de humildade ao tietarem os adversários, tirando fotos e trocando camisas.
Mais cedo, o Inter acordou da letargia e venceu o Seongnam por 4 a 2 e se despediu com dignidade da competição. Pode não ter sido o cenário dos sonhos gaúcho, mas certamente a situação seria muito pior se o time fosse derrotado mais uma vez.
Fim de um torneio que se não empolga muito, ao menos revelou uma grata surpresa (menos aos gaúchos) ao ver um time africano, muitas vezes visto como sem estrutura, romper a hegemonia das finais entre europeus e sul-americanos. Só por isso já dá para dizer que valeu.
Ano que vem tem mais.
17 Dezembro 2010
Duelos emocionantes na segunda fase da Champions
A Uefa sorteou hoje os duelos das oitavas-de-final da Champions League. Bons jogos não vão faltar, como por exemplo a reedição da final do ano passado entre Bayern de Munique e Inter de Milão.
Como os jogos serão apenas em fevereiro, é muito difícil de apontar favoritos. Mas como o blogueiro não resiste ao dom de adivinho, farei algumas projeções baseadas no presente.
Roma x Shakhtar: Os italianos vivem altos e baixos na temporada, mas têm mais time e mais tradição que a perigosa equipe ucraniana. Roma.
Milan x Tottenham: Tem tudo para ser um dos confrontos mais interessantes. Duas escolas diferentes (os ingleses baseados na velocidade dos seus alas, os italianos em um jogo mais cadenciado e centrado em Ibrahimovic) e ambos em grande momento. Acho que o Milan leva favoritismo pela sua gigantesca história na competição.
Valencia x Shalke 04: Os alemães têm mais time para avançar (especialmente graças à força defensiva), embora o Valencia esteja fazendo uma campanha sólida na competição. Shalke.
Inter x Bayern: Os finalistas da edição passada não repetem nem de longe a excelente temporada que fizeram. Hoje, porém, apostaria que os bávaros teriam mais condição de avançar, mais por conta da irregularidade do adversário do que por méritos.
Arsenal x Barcelona: Uma pena os dois times de futebol mais vistoso da competição se enfrentarem logo agora. Pior para os Gunners, que foram amassados no ano passado pelo Barça e devem levar a pior de novo contra os favoritos ao título.
Olympique x Manchester United: Apesar do bom momento francês, os Red Devils têm mais time, mais história e mais opções no banco de reservas para levar a vaga com relativa tranquilidade.
Copenhague x Chelsea: Até fevereiro, os blues devem estar livres da péssima fase atual. Por isso são favoritíssimos.
Como os jogos serão apenas em fevereiro, é muito difícil de apontar favoritos. Mas como o blogueiro não resiste ao dom de adivinho, farei algumas projeções baseadas no presente.
Roma x Shakhtar: Os italianos vivem altos e baixos na temporada, mas têm mais time e mais tradição que a perigosa equipe ucraniana. Roma.
Milan x Tottenham: Tem tudo para ser um dos confrontos mais interessantes. Duas escolas diferentes (os ingleses baseados na velocidade dos seus alas, os italianos em um jogo mais cadenciado e centrado em Ibrahimovic) e ambos em grande momento. Acho que o Milan leva favoritismo pela sua gigantesca história na competição.
Valencia x Shalke 04: Os alemães têm mais time para avançar (especialmente graças à força defensiva), embora o Valencia esteja fazendo uma campanha sólida na competição. Shalke.
Inter x Bayern: Os finalistas da edição passada não repetem nem de longe a excelente temporada que fizeram. Hoje, porém, apostaria que os bávaros teriam mais condição de avançar, mais por conta da irregularidade do adversário do que por méritos.
Arsenal x Barcelona: Uma pena os dois times de futebol mais vistoso da competição se enfrentarem logo agora. Pior para os Gunners, que foram amassados no ano passado pelo Barça e devem levar a pior de novo contra os favoritos ao título.
Olympique x Manchester United: Apesar do bom momento francês, os Red Devils têm mais time, mais história e mais opções no banco de reservas para levar a vaga com relativa tranquilidade.
Copenhague x Chelsea: Até fevereiro, os blues devem estar livres da péssima fase atual. Por isso são favoritíssimos.
15 Dezembro 2010
Inter cumpre sua obrigação
Era difícil a zebra deixar a África e dar suas caras na Coreia do Sul. Por isso a Inter não teve piedade do Seongnam e surrou os asiáticos.
A gigante italiana fez o que dela se esperava (como se esperava do xará gaúcho, que fracassou) e sem a menor dificuldade fez os 3 a 0 - gols de Stankovic, Zanetti (este um golaço) e Milito (o dono do jogo) para colocar o time na decisão contra o Mazembe.
Isso sem poder contar com o holandês Sneijder, substituído logo nos primeiros minutos após levar entrada criminosa.
O contestado Rafa Benítez deu o primeiro passo para faturar o torneio que pode garantir o seu emprego na volta à Itália. Sorte que dificilmente não terá Celso Roth.
Agora resta um jogo contra os imprevisíveis e carismáticos congoleses. Se der a lógica, o nero/blu deve arrematar o caneco.
Mas a lógica dizia que a final marcaria o encontro com o Colorado, coisa que o Mazembe impediu.
A Inter é favoritíssima, mas um pouco de prudência não faz mal a ninguém
A gigante italiana fez o que dela se esperava (como se esperava do xará gaúcho, que fracassou) e sem a menor dificuldade fez os 3 a 0 - gols de Stankovic, Zanetti (este um golaço) e Milito (o dono do jogo) para colocar o time na decisão contra o Mazembe.
Isso sem poder contar com o holandês Sneijder, substituído logo nos primeiros minutos após levar entrada criminosa.
O contestado Rafa Benítez deu o primeiro passo para faturar o torneio que pode garantir o seu emprego na volta à Itália. Sorte que dificilmente não terá Celso Roth.
Agora resta um jogo contra os imprevisíveis e carismáticos congoleses. Se der a lógica, o nero/blu deve arrematar o caneco.
Mas a lógica dizia que a final marcaria o encontro com o Colorado, coisa que o Mazembe impediu.
A Inter é favoritíssima, mas um pouco de prudência não faz mal a ninguém
Vermelho? Só se for de vergonha
Preso no trânsito caótico de São Paulo, pouco pude ver do fiasco Colorado em Abu Dhabi contra a zebra congolesa Mazembe. Talvez tenha sido melhor mesmo.
Do que acompanhei, vi um time nervoso, ansioso e que não soube controlar a imensa pressão de entrar como favorito disparado em um jogo. Nem sombra daquela equipe competitiva que derrubou o então favorito São Paulo na semifinal e bateu o Chivas na decisão da Libertadores.
Chances foram criadas, mas foi longe de ser um massacre injusto. Se o Inter tropeçou nos próprios erros, o Mazembe demonstrou competência nas suas oportunidades e marcou com competência. Isso sem contar o carisma do goleiro Kidiaba, que barrou os chutes de Giuliano, Rafael Sóbis e Alecsandro.
Metade do Rio Grande chorou. Metade foi ao delírio. Coisas do futebol.
Se por um lado a tragédia gaúcha vai deixar feridas, a vitória africana valoriza o campeonato mundial e termina com aquela história de que só América do Sul e Europa têm futebol.
Também dá uma lição aos brasileiros, que invariavelmente depositam todas as suas fichas no Mundial e esquecem do campeonato nacional. Tivesse um pouco mais de visão, o Inter poderia ter disputado o título com Fluminense, Cruzeiro e Corinthians até o fim.
Iria acontecer com alguém cedo ou tarde. Quis o destino que fosse o Colorado, que ainda terá que disputar o terceiro lugar no domingo, logo antes da decisão, onde imaginou que estaria.
A confiança na vitória era tamanha que nem o blogueiro dedicou uma linha ao Mundial até hoje. Talvez essa tenha sido também a falha dos brasileiros, mas isso só eles saberão responder.
Triste, mas não dá para dizer injusto.
Do que acompanhei, vi um time nervoso, ansioso e que não soube controlar a imensa pressão de entrar como favorito disparado em um jogo. Nem sombra daquela equipe competitiva que derrubou o então favorito São Paulo na semifinal e bateu o Chivas na decisão da Libertadores.
Chances foram criadas, mas foi longe de ser um massacre injusto. Se o Inter tropeçou nos próprios erros, o Mazembe demonstrou competência nas suas oportunidades e marcou com competência. Isso sem contar o carisma do goleiro Kidiaba, que barrou os chutes de Giuliano, Rafael Sóbis e Alecsandro.
Metade do Rio Grande chorou. Metade foi ao delírio. Coisas do futebol.
Se por um lado a tragédia gaúcha vai deixar feridas, a vitória africana valoriza o campeonato mundial e termina com aquela história de que só América do Sul e Europa têm futebol.
Também dá uma lição aos brasileiros, que invariavelmente depositam todas as suas fichas no Mundial e esquecem do campeonato nacional. Tivesse um pouco mais de visão, o Inter poderia ter disputado o título com Fluminense, Cruzeiro e Corinthians até o fim.
Iria acontecer com alguém cedo ou tarde. Quis o destino que fosse o Colorado, que ainda terá que disputar o terceiro lugar no domingo, logo antes da decisão, onde imaginou que estaria.
A confiança na vitória era tamanha que nem o blogueiro dedicou uma linha ao Mundial até hoje. Talvez essa tenha sido também a falha dos brasileiros, mas isso só eles saberão responder.
Triste, mas não dá para dizer injusto.
09 Dezembro 2010
Foi pouco, Goiás
Este modesto blog havia alertado que 2 a 0 poderia ter sido pouco para o Goiás no primeiro jogo da decisão da Sul-Americana. Especialmente nas condições do jogo no Serra Dourada, quando o Independiente ficou com um jogador a menos durante quase todo o segundo tempo.
Pois o Esmeraldino lutou bravamente em Avellaneda, mas sucumbiu por 3 a 1. Como o esdrúxulo regulamento da Conmebol elimina o critério dos gols fora de casa, a partida foi para a prorrogação.
E foi lá que os brasileiros demonstraram muita raça e dedicação, a ponto dos Rojos começarem a fazer cera para conter o ímpeto dos visitantes. Por falta de tranquilidade, o Goiás não fez o gol que seria o do título.
Aí os pênaltis trataram de mostrar a faceta cruel do esporte e Felipe, que mandou na trave, abriu espaço para o Independiente carimbar a conquista, a vaga na Libertadores e mais um título internacional na sua rica galeria.
Quem vibra com o tropeço são os gremistas, confirmados na primeira fase da Libertadores, e os postulantes da Copa do Brasil, que não terão os gaúchos - sempre um rival de peso - na competição.
Faltou pouco, Goiás. Mas o 2010 que já vinha de mal a pior conseguiu ser encerrado de forma melancólica. Que venham ventos melhores no ano que vem.
Pois o Esmeraldino lutou bravamente em Avellaneda, mas sucumbiu por 3 a 1. Como o esdrúxulo regulamento da Conmebol elimina o critério dos gols fora de casa, a partida foi para a prorrogação.
E foi lá que os brasileiros demonstraram muita raça e dedicação, a ponto dos Rojos começarem a fazer cera para conter o ímpeto dos visitantes. Por falta de tranquilidade, o Goiás não fez o gol que seria o do título.
Aí os pênaltis trataram de mostrar a faceta cruel do esporte e Felipe, que mandou na trave, abriu espaço para o Independiente carimbar a conquista, a vaga na Libertadores e mais um título internacional na sua rica galeria.
Quem vibra com o tropeço são os gremistas, confirmados na primeira fase da Libertadores, e os postulantes da Copa do Brasil, que não terão os gaúchos - sempre um rival de peso - na competição.
Faltou pouco, Goiás. Mas o 2010 que já vinha de mal a pior conseguiu ser encerrado de forma melancólica. Que venham ventos melhores no ano que vem.
08 Dezembro 2010
Pepelão de Sanchez
Andrés Sanchez fez papelão na festa da CBF e perdeu excelente oportunidade de ficar calado ao dizer que tinha orgulho de ter caído para a Série B e voltado pela porta da frente, alfinetando o Fluminense, que graças à generosidade da CBF pulou da Série C para a Série A em 2000.
Em tempo: o presidente corintiano tem razão no que disse. A manobra da Copa João Havelange, que jogou o Tricolor das Laranjeiras de volta à elite da bola foi uma vergonha e os próprios dirigentes do clube deveriam, por hombridade, se negar a receber tal esmola.
O problema foi ter dito isso em um momento de celebração do justo título nacional conquistado pelo Flu.
Além do momento inoportuno, a forma como Sanchez dirigiu as palavras deixou uma impressão de dor de cotovelo e choro de mau perdedor. Justo o presidente do clube que se diz "maior que isso tudo".
Não bastasse isso, o presidente ainda bateu boca com torcedores e desceu ao nível da várzea ao dizer que "não estou nem aí para esses bambis". Encerrou com chave de latão o que já havia começado mal.
Uma pena o clube que fez bela campanha no Brasileirão ter como derradeiro registro seu presidente dando um tiro de bazuca nos bons modos e no espírito esportivo. Não combina com a brilhante campanha realizada pelo Timão.
Ainda bem que o ano acabou e Sanchez - espera-se - ficará de quarentena longe dos microfones. Os nossos ouvidos agradecem.
Em tempo: o presidente corintiano tem razão no que disse. A manobra da Copa João Havelange, que jogou o Tricolor das Laranjeiras de volta à elite da bola foi uma vergonha e os próprios dirigentes do clube deveriam, por hombridade, se negar a receber tal esmola.
O problema foi ter dito isso em um momento de celebração do justo título nacional conquistado pelo Flu.
Além do momento inoportuno, a forma como Sanchez dirigiu as palavras deixou uma impressão de dor de cotovelo e choro de mau perdedor. Justo o presidente do clube que se diz "maior que isso tudo".
Não bastasse isso, o presidente ainda bateu boca com torcedores e desceu ao nível da várzea ao dizer que "não estou nem aí para esses bambis". Encerrou com chave de latão o que já havia começado mal.
Uma pena o clube que fez bela campanha no Brasileirão ter como derradeiro registro seu presidente dando um tiro de bazuca nos bons modos e no espírito esportivo. Não combina com a brilhante campanha realizada pelo Timão.
Ainda bem que o ano acabou e Sanchez - espera-se - ficará de quarentena longe dos microfones. Os nossos ouvidos agradecem.
Concategoria
Nos tempos de São Paulo, Muricy Ramalho sempre sonhou levar o argentino Conca para o Morumbi. Agora no Fluminense, o treinador sorri e vê que o desejo procedia.
Ninguém mandou no Brasileirão como o baixinho hermano. De rara qualidade no passe e com visão de jogo rara hoje em dia, Conca foi o maestro do campeão e ditou o ritmo da equipe nos 38 jogos. Sim, ele atuou em todas as partidas.
Mais impressionante que sua habilidade é a simplicidade com que ele atua. Não gosta de dar entrevistas, não se deslumbrou com a fama, não revida os muitos pontapés que leva. E assim mesmo é uma peça fundamental no Tricolor das Laranjeiras e virou o grande queridinho do país.
Conca é o típico 10, mas curiosamente joga com a 11. Não é um virtuoso, mas é capaz de com qualquer retranca em um simples passe. É de linhagem de rara categoria e cada vez mais ameaçado de extinção pelo futebol-força.
Por isso a vitória do Flu foi também a vitória da criatividade e do meia "à moda antiga", aqueles que encantaram plateias com suas jogadas de efeito tanto quanto os atacantes fazem a festa com gols.
Tomara que muitos meninos se espelhem no pequenino argentino e vejam que futebol bem jogado não depende necessariamente de força e vigor. Conca deu uma esperança para quem gosta de ver a bola bem tratada e foi o craque do campeonato com muitos méritos.
Ninguém mandou no Brasileirão como o baixinho hermano. De rara qualidade no passe e com visão de jogo rara hoje em dia, Conca foi o maestro do campeão e ditou o ritmo da equipe nos 38 jogos. Sim, ele atuou em todas as partidas.
Mais impressionante que sua habilidade é a simplicidade com que ele atua. Não gosta de dar entrevistas, não se deslumbrou com a fama, não revida os muitos pontapés que leva. E assim mesmo é uma peça fundamental no Tricolor das Laranjeiras e virou o grande queridinho do país.
Conca é o típico 10, mas curiosamente joga com a 11. Não é um virtuoso, mas é capaz de com qualquer retranca em um simples passe. É de linhagem de rara categoria e cada vez mais ameaçado de extinção pelo futebol-força.
Por isso a vitória do Flu foi também a vitória da criatividade e do meia "à moda antiga", aqueles que encantaram plateias com suas jogadas de efeito tanto quanto os atacantes fazem a festa com gols.
Tomara que muitos meninos se espelhem no pequenino argentino e vejam que futebol bem jogado não depende necessariamente de força e vigor. Conca deu uma esperança para quem gosta de ver a bola bem tratada e foi o craque do campeonato com muitos méritos.
05 Dezembro 2010
Sobre o que não vi
Arrisco dizer que se houvessem mais cinco ou seis rodadas, o Grêmio seria campeão brasileiro, tão impressionante foi a sua arrancada.
O atropelamento por 3 a 0 sobre o Botafogo deixa o Tricolor gaúcho com a possível quarta vaga na Libertadores. Agora resta secar o Goiás, mas a campanha do Imortal é digna de aplausos e Renato Gaúcho foi o melhor técnico do campeonato, na modestíssima opinião deste que vos escreve.
Já na Bahia, triste ver a derrocada do Vitória, de finalista da Copa do Brasil a rebaixado no Brasileirão, o futebol perde um pouco de cor com a ausência dos baianos. Sorte que o Bahia está de volta à elite em 2011.
No jogo que vi, o São Paulo goleou com tranquilidade o Atlético-MG e Lucas mostra que é uma realidade. Joga demais o garoto.
O atropelamento por 3 a 0 sobre o Botafogo deixa o Tricolor gaúcho com a possível quarta vaga na Libertadores. Agora resta secar o Goiás, mas a campanha do Imortal é digna de aplausos e Renato Gaúcho foi o melhor técnico do campeonato, na modestíssima opinião deste que vos escreve.
Já na Bahia, triste ver a derrocada do Vitória, de finalista da Copa do Brasil a rebaixado no Brasileirão, o futebol perde um pouco de cor com a ausência dos baianos. Sorte que o Bahia está de volta à elite em 2011.
No jogo que vi, o São Paulo goleou com tranquilidade o Atlético-MG e Lucas mostra que é uma realidade. Joga demais o garoto.
Fluminense incontestável
Foi MUITO mais difícil do que os tricolores poderiam imaginar, mas o Fluminense finalmente pôde soltar o grito de campeão brasileiro. A suada vitória por 1 a 0 sobre o rebaixado Guarani foi o suficiente para garantir o primeiro título ao Tricolor das Laranjeiras.
Se jogasse o que pode, o Flu certamente não passaria por tanto aperto, mas o nervosismo falou mais alto e o time teve um primeiro tempo bisonho e praticamente sem chances de gol.
Enquanto isso, Corinthians e Cruzeiro empatavam com os reservas de Goiás e Palmeiras e ajudavam o drama no Engenhão a não aumentar ainda mais.
Veio o segundo tempo e com ele Washington. Em jejum interminável de 15 gols, o Coração Valente resvalou um cruzamento de Carlinhos e Emerson fez o gol do título, aos 16 do segundo tempo.
Daí nem adiantou o esforço alvinegro (que fez partida fraca contra os goianos) e nem a virada Celeste sobre o Verdão. O título já tinha encontrado seu dono e era pintado de verde, branco e grená.
Azar de quem preferir atribuir o título dos cariocas a entregadas de são-paulinos e palmeirenses. A conquista foi justa, merecida e brilhante.
Como foi brilhante também o trabalho de Muricy Ramalho. Contestado ou não, o comandante amealha seu quarto título nacional nos últimos cinco anos. Alguém tem alguma objeção a fazer? Como também foi espetacular a temporada de Darío Conca, o motorzinho da equipe que fez toda a diferença ao campeão.
De quebra, o futebol carioca conquista seu segundo título consecutivo. Para alguns que enxergam São Paulo como o centro do mundo, é um belo tapa na cara.
O resto agora é passado. É hora do torcedor do Fluminense comemorar e receber os parabéns! Foi merecido!
Se jogasse o que pode, o Flu certamente não passaria por tanto aperto, mas o nervosismo falou mais alto e o time teve um primeiro tempo bisonho e praticamente sem chances de gol.
Enquanto isso, Corinthians e Cruzeiro empatavam com os reservas de Goiás e Palmeiras e ajudavam o drama no Engenhão a não aumentar ainda mais.
Veio o segundo tempo e com ele Washington. Em jejum interminável de 15 gols, o Coração Valente resvalou um cruzamento de Carlinhos e Emerson fez o gol do título, aos 16 do segundo tempo.
Daí nem adiantou o esforço alvinegro (que fez partida fraca contra os goianos) e nem a virada Celeste sobre o Verdão. O título já tinha encontrado seu dono e era pintado de verde, branco e grená.
Azar de quem preferir atribuir o título dos cariocas a entregadas de são-paulinos e palmeirenses. A conquista foi justa, merecida e brilhante.
Como foi brilhante também o trabalho de Muricy Ramalho. Contestado ou não, o comandante amealha seu quarto título nacional nos últimos cinco anos. Alguém tem alguma objeção a fazer? Como também foi espetacular a temporada de Darío Conca, o motorzinho da equipe que fez toda a diferença ao campeão.
De quebra, o futebol carioca conquista seu segundo título consecutivo. Para alguns que enxergam São Paulo como o centro do mundo, é um belo tapa na cara.
O resto agora é passado. É hora do torcedor do Fluminense comemorar e receber os parabéns! Foi merecido!
Dia de Fluminense campeão
Salvo muita incompetência (e um certo tom de desastre), hoje o Fluminense deve se sagrar campeão brasileiro.
Se tudo sair como o programado, os três primeiros colocados vencerão seus compromissos com tranquilidade e nada deve se alterar na classificação. Ou seja, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro ficarão com o honroso pódio e com as vagas na Libertadores.
Nos outros dois jogos que importam, aposto em Grêmio para ficar com a hipotética quarta vaga na Libertadores e Vitória para se salvar do rebaixamento. Veremos em breve se botafoguenses e atleticanos firacão mesmo a ver navios.
Os outros jogos de nada valem, portanto é bobagem perder tempo falando sobre eles.
Chegou a hora de conhecer o campeão. Independentemente de quem ficar com o caneco, terá o título merecidamente.
Se tudo sair como o programado, os três primeiros colocados vencerão seus compromissos com tranquilidade e nada deve se alterar na classificação. Ou seja, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro ficarão com o honroso pódio e com as vagas na Libertadores.
Nos outros dois jogos que importam, aposto em Grêmio para ficar com a hipotética quarta vaga na Libertadores e Vitória para se salvar do rebaixamento. Veremos em breve se botafoguenses e atleticanos firacão mesmo a ver navios.
Os outros jogos de nada valem, portanto é bobagem perder tempo falando sobre eles.
Chegou a hora de conhecer o campeão. Independentemente de quem ficar com o caneco, terá o título merecidamente.
02 Dezembro 2010
Petrodólares seduzem Fifa
Rússia e Catar serão as sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente, em decisão anunciada hoje pela Fifa em Zurique.
As duas candidaturas superaram rivais de peso como Estados Unidos e Inglaterra para ter o privilégio de receber o evento esportivo mais assistido no planeta. Cá entre nós, o que não quer dizer que as duas melhores propostas foram vencedoras.
Com o confortável pretexto de "desenvolver o futebol pelo mundo", a Fifa se dá ao luxo de escolher as candidaturas que mais lhe agradam, e todos sabemos o que isso significa, não é me$mo?
É bobagem não imaginar que os bilhões de petrodólares de russos e árabes e a montanha de benfeitorias futuras à Fifa não foram os verdadeiros responsáveis pela escolha. É verdade que se tratam de duas economias emergentes e especialmente os europeus vivam fase de amadurecimento do esporte no país. Mas como justificar uma copa no Catar?
Não custa lembrar que recentemente dirigentes da entidade máxima do futebol negociavam a venda de seus votos na maior cara de pau. E qual não foi a supresa quando Sepp Blatter nada fez? Para piorar, o suíço ainda tenta censurar o acesso da imprensa às informações sobre o pagamento de propina feita pela ISL nos anos 90. Um exemplo de lisura e honestidade.
O romantismo morreu no futebol, especialmente em sua entidade máxima. Acabou a expectativa de nações inteiras pela indicação, o desejo do povo, as reais melhorias que um evento tão grandioso podem trazer. Na verdade essa comoção nunca existiu e as escolhas da Fifa tenham sido sempre cartas marcadas para as quais fazíamos vistas grossas.
Os petrodólares venceram. As Copas de 2018 e 2022 estão definidas. É torcer para que os organizadores olhem para o Brasil e aprendam como um mundial não deve ser feito.
As duas candidaturas superaram rivais de peso como Estados Unidos e Inglaterra para ter o privilégio de receber o evento esportivo mais assistido no planeta. Cá entre nós, o que não quer dizer que as duas melhores propostas foram vencedoras.
Com o confortável pretexto de "desenvolver o futebol pelo mundo", a Fifa se dá ao luxo de escolher as candidaturas que mais lhe agradam, e todos sabemos o que isso significa, não é me$mo?
É bobagem não imaginar que os bilhões de petrodólares de russos e árabes e a montanha de benfeitorias futuras à Fifa não foram os verdadeiros responsáveis pela escolha. É verdade que se tratam de duas economias emergentes e especialmente os europeus vivam fase de amadurecimento do esporte no país. Mas como justificar uma copa no Catar?
Não custa lembrar que recentemente dirigentes da entidade máxima do futebol negociavam a venda de seus votos na maior cara de pau. E qual não foi a supresa quando Sepp Blatter nada fez? Para piorar, o suíço ainda tenta censurar o acesso da imprensa às informações sobre o pagamento de propina feita pela ISL nos anos 90. Um exemplo de lisura e honestidade.
O romantismo morreu no futebol, especialmente em sua entidade máxima. Acabou a expectativa de nações inteiras pela indicação, o desejo do povo, as reais melhorias que um evento tão grandioso podem trazer. Na verdade essa comoção nunca existiu e as escolhas da Fifa tenham sido sempre cartas marcadas para as quais fazíamos vistas grossas.
Os petrodólares venceram. As Copas de 2018 e 2022 estão definidas. É torcer para que os organizadores olhem para o Brasil e aprendam como um mundial não deve ser feito.
Esmeraldino dá passo enorme
Bastaram pouco mais de 20 minutos para o Goiás abrir a excelente vantagem de 2 a 0 sobre o Independiente na primeira partida da finalíssima da Sul-Americana.
Não tivesse se acomodado com o bom placar, o Esmeraldino poderia ter feito até mais gols e praticamente sacramentado o título e a vaga na Libertadores de 2011.
A partida de volta, na semana que vem, promete ser duríssima. Avellaneda estará infernal esperando os goianos, que hoje em nada lembraram o time que amargou o rebaixamento no Brasileirão.
Mas se demonstrar a mesma tranquilidade e maturidade exibidas contra o Palmeiras, o Goiás tem tudo para conseguir levantar o mais importante troféu da sua história. Especialmente porque o Independiente não mete medo em ninguém.
Um título internacional e uma vaga na mais importante competição continental em 2011 seria o desfecho improvável de um ano que tinha tudo para ser apenas de lágrimas.
Coisas desse tal de futebol.
Não tivesse se acomodado com o bom placar, o Esmeraldino poderia ter feito até mais gols e praticamente sacramentado o título e a vaga na Libertadores de 2011.
A partida de volta, na semana que vem, promete ser duríssima. Avellaneda estará infernal esperando os goianos, que hoje em nada lembraram o time que amargou o rebaixamento no Brasileirão.
Mas se demonstrar a mesma tranquilidade e maturidade exibidas contra o Palmeiras, o Goiás tem tudo para conseguir levantar o mais importante troféu da sua história. Especialmente porque o Independiente não mete medo em ninguém.
Um título internacional e uma vaga na mais importante competição continental em 2011 seria o desfecho improvável de um ano que tinha tudo para ser apenas de lágrimas.
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